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Como fazer a avaliação da composição corporal?

Pode-se dizer que maus resultados geram más conclusões. Isto não se aplica somente à área da medicina, mas também à área do fitness. No mundo do desporto, a disponibilidade de uma boa ferramenta de avaliação da composição corporal torna-se essencial para a tomada de decisões na elaboração do plano alimentar e de treino, ou até mesmo para decidir que rumo os objetivos devem tomar.

Dois atletas podem ter o mesmo peso, mas se um tem uma percentagem de massa gorda baixa e, por conseguinte, uma maior massa magra que o outro, e sabendo que o músculo dá estabilidade à articulação enquanto que, o excesso de massa gorda leva a uma maior propensão a lesões articulares (a massa gorda dá-nos proteção mecânica, o que em certos desportos pode ser desejável), a aferição da composição corporal torna-se essencial.

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O uso só do peso dá-nos uma indicação da massa corporal e não a sua constituição, por isso a escolha de um método simples, o menos invasivo possível e com uma boa exatidão (valores próximos do real) e precisão (capacidade de obter o mesmo valor após várias medições repetidas) é essencial.

Existem vários métodos para estimar a percentagem de massa gorda, sendo os mais exatos os métodos diretos, como a dissecação de cadáveres.

Nos métodos indiretos existem vários tipos de metodologias, nomeadamente os métodos químicos físicos, entre os quais se destacam a pletismografia (BodPod) e a pesagem hidrostática, bem como as técnicas de imagem como a tomografia axial computorizada (TAC), a ressonância magnética (RM) e a absorciometria bifotónica de raio X (DEXA).

Para simplificar as coisas, vamos restringir este artigo ao uso de dois compartimentos a nível tecidular, que são:

  • Massa isenta de gordura ou massa magra (MIG ou MM)
  • Massa gorda (MG), apesar de se poder dividir em vários outros compartimentos, como o tecido ósseo, músculo esquelético etc.

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O foco do texto vai ser em dois métodos duplamente indiretos: as pregas cutâneas e a bioimpedância (bioelectrical impedance analysis ou BIA), visto serem métodos baratos e de fácil acesso.

A BIA deve ser um dos métodos mais usados. Esta baseia-se na resistência proporcionada pelo corpo à corrente elétrica, obtendo assim a quantidade de água corporal total (mesmo assim, a American College of Sports Medicine diz que não é um método válido para avaliar o estado de hidratação).

A maioria destas balanças com BIA só usam uma frequência de onda e de baixa intensidade (50khz), o que nos dá a estimativa da água extracelular, e por meio de extrapolação se obtém a água corporal total (apesar de as balanças multifrequências não obterem resultados melhores).

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Obtendo a água corporal total, há uma extrapolação para a massa isenta de gordura (o tecido adiposo é anidro e o tecido isento de gordura mole tem quase a totalidade da água), o que por fim nos dá a massa gorda.

Além da BIA requerer muitas extrapolações para a obtenção da massa gorda, vários trabalhos mostram que não é adequado para acompanhar pequenas alterações na composição corporal, além de ser pouco exata. Apesar de ser precisa, a alteração no estado hídrico do atleta iria alterar os resultados, assim como o exercício físico, a comida no estômago etc.

Vejamos: ao longo do dia ganhamos uma pequena camada de gordura na pele que causa uma maior resistência do que a água. Se por eventualidade numa das avaliações as mãos estivessem limpas, o corpo ofereceria menos resistência, o que por sua vez seria visto como tendo uma maior quantidade de água, logo uma menor massa gorda.

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O método das pregas cutâneas, apesar de ser mais exato que a BIA, tem as suas limitações, e infelizmente, a grande variabilidade da compressibilidade do tecido adiposo gera a principal fonte de erro na estimação da massa gorda.

Trabalhos feitos com cadáveres, apesar da mesma percentagem de gordura, mostraram grande variação na compressibilidade das pregas cutâneas. Outro ponto é a gordura visceral.

Como o método das pregas cutâneas só avalia a gordura subcutânea, o uso de outras medições como o perímetro abdominal, o perímetro da cintura ou a profundidade abdominal antero-posterior parecem ser de boa utilidade, visto terem uma boa correlação (r2) quando comparado com o valor critério (TAC).

Apesar dos lipocalibradores homologados pela ISAK terem um valor de compressão específico, há ligeiras diferenças entre eles (além da mola perder força com a utilização), pelo que se recomenda a medição com o mesmo lipocalibrador e, se houver o uso de fórmulas validadas para a população em questão para estimar a massa gorda, é conveniente o uso do lipocalibrador usado no trabalho original.

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É aconselhado que a medição seja feita por um avaliador experiente e sempre pelo mesmo avaliador, visto que requer o uso de pontos anatómicos específicos, além de serem necessários alguns pré-requisitos para evitar enviesamentos.

Em suma, como os atletas têm uma baixa percentagem de gordura visceral, o uso da soma total das pregas cutâneas feito sempre pelo mesmo avaliador é uma boa maneira de monitorizar a avaliação corporal ao longo do tempo, já que mostra a correlação mais alta de massa gorda quando comparando à RM.

O uso do perímetro do gémeo, coxa e braço podem ser usados para determinar o desenvolvimento da musculatura.

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Apesar disso, existiram trabalhos em pessoas com excesso de peso e sedentárias e expostas a treino de pesos em que o método de pregas cutâneas foi capaz de acompanhar as alterações da massa gorda quando comparado ao valor critério (DEXA), ao contrário da BIA.

Por experiência empírica, a obtenção dos pontos anatómicos neste tipo de pessoas é difícil e a sua reprodutibilidade é baixa.

Quanto ao uso da BIA para acompanhar a evolução dos seus clientes, recomendamos precaução ao interpretar os resultados. Algumas equipas de futebol profissionais já usam PodPod ou DEXA para analisar a composição corporal dos seus atletas, métodos que, apesar de terem as suas limitações, são mais exatos que os descritos acima.

 



Eduardo Machado

Eduardo Machado

Escritor

Chamo-me Eduardo Machado, sou Licenciado em ciências da nutrição pelo Instituto Universitário de Ciências da Saúde e Mestre em nutrição clínica pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. Sou apaixonado pelo desporto, contando com mais de 10 anos de treino em várias modalidades, como o powerlifting e kickboxing, e a trabalhar há mais de um ano no futebol profissional.


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