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Treino

Cardio em jejum, sim ou não?

O tópico do cardio em jejum para perda de gordura está recentemente muito em voga. É comum ouvir algo sobre este tema pelos corredores dos ginásio, pela internet e nas redes sociais. Por estas razões, o objectivo deste artigo é perceber um pouco mais sobre este tema, acabar de vez com alguns mitos criados e dar algumas recomendações práticas.


A razão para o cardio em jejum


Uma estratégia comum naqueles que competem em provas de culturismo ou desportos que envolvam categorias de peso, é a realização de cardio em jejum logo pela manhã ao acordar.

A premissa para isto é simples: baixos níveis de glicogénio e de insulina, permitem que o nosso combustível primordial deixam de ser os hidratos de carbono, e o nosso corpo passe a utilizar a gordura armazenada como a principal fonte de energia (oxidação da gordura).

E o que diz a literatura sobre isto?

Efeitos na oxidação do cardio em jejum vs cardio alimentado

Resultados de vários estudos (Spriet & Watt, 2003; Horowitz et al., 1999) confirmaram a ideia de que o cardio alimentado resulta numa diminuição da oxidação da gordura durante o exercício, isto devido a uma redução da entrada de ácidos gordos nas mitocôndrias.

cardio em jejum

Numa outra ocasião, Horowitz e os seus colegas (1997) estudaram a resposta da queima de gordura em seis indivíduos moderadamente treinados num estado em jejum vs estado alimentado em diferentes actividades. Os participantes foram submetidos a quatro exercícios que envolviam duas horas de bicicleta.

Durante dois dos exercícios consumiram hidratos de carbono de alto IG aos 30, 60 e 90 minutos de treino, um de baixa intensidade (25% VO2 máximo) e outro de intensidade moderada (68% VO2 máximo).

Os mesmos participantes realizaram o mesmo exercício novamente, mas deste vez após um jejum de 12 a 14 horas.

O resultados nos ensaios de baixa intensidade mostraram que apesar da lipólise ter sido reduzida em 22% quando alimentados, a oxidação da gordura permaneceu a semelhante até aos 80-90 minutos de exercício. Após este tempo a oxidação foi superior nos casos em jejum.

Durante o exercício moderado, a oxidação de gordura não foi afectada.

cardio em jejum

Num outro estudo que envolveu indivíduos com treino de resistência Febbraio et al (1985) olhou para o efeito do consumo de hidratos antes do treino e durante treino na oxidação de gordura. O estudo teve 7 participantes que andaram de bicicleta durante 120 minutos a velocidade moderada para a máxima oxidação possível.

Os resultados não mostraram evidências na diminuição da oxidação da gordura quando houve consumo de hidratos de carbono antes ou durante o exercício, apesar dos elevados níveis de insulina.

Parece que tamanhas discrepâncias nos resultados estão fortemente ligadas ao nível de treino dos indivíduos envolvidos, com os efeitos da oxidação da gordura em indivíduos alimentados a diminuírem quando os mesmos tinham uma grande capacidade atlética. É possível que em atletas de endurance treinados, exista uma maior quebra de gordura para uso como energia.

As conclusões dadas pelos estudos oferecem-nos uma ideia para responder à questão inicial deste artigo, mas não há nada que seja completamente concreto.


Conclusão


Em resumo, apesar de toda a lógica por trás dos efeitos superiores de realizar cardio em jejum na perda peso, o suporte disso através de estudos é pouco conclusivo.

A melhor conclusão que podemos tirar daqui é que deves fazer aquilo que te permite ver os melhores resultados, por isso nada melhor que a nossa experiência no assunto em questão

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